Livro: A Extremadura Portugueza

Fonte: Jogo do Pau Português
capa do livro

Sobre

  • Relevância: ★☆☆
  • Título: A Extremadura Portugueza - 1ª Parte - O Ribatejo
  • Autor: Alberto Pimentel (1849-1925)
  • Publicação: Lisboa: Empreza da Historia de Portugal, 1908
  • Formato: 534 Páginas


A Extremadura Portugueza é uma obra de carácter descritivo e etnográfico da autoria de Alberto Pimentel, publicada no início do século XX, integrada na coleção Portugal pitoresco e ilustrado. Dividida em dois volumes, a obra propõe uma descrição abrangente da antiga região histórica da Estremadura, incluindo o Ribatejo, a zona saloia, Lisboa e os seus arredores, bem como áreas da margem sul do Tejo e do litoral até Sines.

O primeiro volume dedica-se ao Ribatejo, abordando a geografia, a economia agrícola, a organização social e os chamados “tipos populares”, como campinos e lavradores. O segundo volume expande a análise a outras zonas da Estremadura, incluindo descrições de localidades, costumes, tradições e episódios históricos.

A obra insere-se no género das descrições regionais de finais do século XIX e inícios do século XX, combinando elementos de crónica histórica, literatura de viagem e observação etnográfica. Embora não constitua um estudo científico no sentido moderno, apresenta um relevante testemunho das paisagens, práticas sociais e modos de vida da época, sendo frequentemente utilizada como fonte para a compreensão do contexto cultural e social das regiões descritas.

Resumo do excerto da obra

A descrição dos combates entre touros nas lezírias, feita por Alberto Pimentel, recorre a um vocabulário claramente inspirado na esgrima e no combate humano. Termos como “pôr-se em guarda”, “aparar”, “acometer” ou mesmo “ensarilhar os paus” revelam uma leitura técnica da luta animal, sugerindo que a lógica do combate com armas longas — como o varapau — estava profundamente enraizada no imaginário cultural da época.

Excerto da obra

« Pela manhã levantou-se e foi reunir-se á manada, evitando assim o assalto dos lobos pelo instincto de conservação.

Em todas as manadas ha sempre um touro mais bravo e valente que os outros : é enominado o possante.

Impõe não só respeito á manada, mas também aos guardadores. Entre os variados episodios da vida do gado bravo na leziria, avulta o das investidas de um touro contra outro por ciume das femeas. São combates arca por arca, sanguinários, terríveis, em que um dos contendores tem de ficar vencido, gottejando sangue de suas carnes palpitantes, rasgadas pelo chifre do rival indómito — um Othello em hastes nuas.

É um duello por amor, em que as duas rezes executam prodígios de esgrima instinctiva, ensarilhando os paus para se conterem uma á outra; destramando os de súbito, para atacar com agilidade; pondo-se em guarda, a aparar a marrada; ensarilhando de novo e de novo procurando acommetter com destreza e odio, até que o menos forte, reconhecendo-se impotente para resistir por mais tempo, resolve fugir.

É n’esse momento que, ordinariamente, o adversário lhe vibra o golpe de misericórdia, jogando-lhe uma chavelhada decisiva. »
(páginas 39-40)

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