Livro: O senhor Ventura: diferenças entre revisões

Fonte: Jogo do Pau Português
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O ''''''Senhor Ventura''''' é uma novela da autoria de Miguel Torga, publicada pela primeira vez em 1943. O Senhor Ventura é a história de amor e morte de um emigrante português que procura infrutiferamente opor-se a um destino trágico.
O '''''Senhor Ventura''''' é uma novela da autoria de Miguel Torga, publicada pela primeira vez em 1943. O Senhor Ventura é a história de amor e morte de um emigrante português que procura infrutiferamente opor-se a um destino trágico.
<ref>https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Senhor_Ventura</ref>
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== Resumo do excerto da obra ==
O excerto conta a história de Pereira, um minhoto que trabalha como cozinheiro e é também exímio jogador de pau. Um dia, alguns marinheiros americanos embriagados insultam Pereira, que reage com o seu pau, derrotando-os rapidamente. Quando os marinheiros americanos voltam para se vingar, o alentejano que trabalha com Pereira tenta acalmá-los, mas os americanos insistem e acabam lutando com Pereira e o alentejano, numa cena violenta em que há cacetadas e garrafas quebradas. A história transmite a ideia de que Pereira é um homem corajoso e habilidoso no combate, e a sua resposta à provocação dos marinheiros americanos é rápida e eficaz.
== Interpretação analítica ==
O artigo "[[Doc: Turismo Cultural - Património Literário Português do Jogo do Pau na oferta de novas experiências turísticas|Turismo Cultural - Património Literário Português do Jogo do Pau na oferta de novas experiências turísticas]]" dá-nos uma análise literária do Jogo do Pau português, reunindo um corpus de quatro romances que melhor retratam esta arte tradicional e o contexto sociocultural em que se desenvolveu. Através de uma abordagem analítica e interpretativa, o estudo procura identificar de que forma a literatura portuguesa representou o universo rural, as práticas de defesa e as expressões simbólicas associadas ao Jogo do Pau, evidenciando o seu valor enquanto património imaterial e elemento identitário da cultura popular.
''Miguel Torga(1943) 1ª edição, Senhor Ventura, Coimbra, Atlântida.''
Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, nasceu na aldeia de São Martinho de Anta, em Sabrosa, Trás-os-Montes. Frequentou Medicina em Coimbra, terminando o curso em 1933, indo exercitar a profissão de médico para Miranda do Corvo. Alguns anos mais tarde, regressa à cidade de Coimbra, onde se fixa definitivamente. É a partir de 1936 que começa a utilizar o pseudónimo que o tornou célebre. A sua obra em prosa, poesia e teatro é reconhecida mundialmente.
O conto Senhor Ventura é um conto que retrata a vida de um português que irá viajar pelo mundo. Neste conto, a personagem principal saiu de Penedono, no Alentejo, na idade de cumprir o serviço militar. Fez a recruta em Lisboa e logo foi mobilizado para Macau. Nesta ex-província ultramarina, o Sr. Ventura perde-se de amores por Júlia, uma linda moça, filha do secretário do Governador.
Apresentada a queixa, o comandante manda fazer guarda rigorosa durante a noite, sendo o Sr. Ventura quase apanhado. Não lhe sobrou outra hipótese que não fugir rápido para o porto e embarcar no primeiro navio que zarpasse. Foi, desta forma, dado como fugitivo, pelo que não poderia voltar nos anos mais próximos a Portugal.
Aportou em Pequim, onde começou a trabalhar numa garagem e aí conheceu o Pereira, de alcunha o Minhoto, também ele desertor. Com uns dinheiritos que juntou, e dado que o Pereira tinha um jeito especial para cozinhar, abriu numa rua escura, junto ao porto, um pequeno restaurante de comida portuguesa. O negócio proliferava e o Pereira trabalhava arduamente, enquanto o Sr. Ventura só vinha dar uma ajuda nos dias de mais movimento (Torga, 1943).
Um dia, porém, uns marinheiros americanos deram cabo daquela felicidade. Entraram, começaram a carregar no Porto, embebedaram-se, e às tantas insultaram o Minhoto. “Sem saberem os coitados, que o Pereira, além de cozinhar assim, jogava o pau. (...) Mas o Pereira cerrou-lhes os lábios de uma assentada. Salta para o meio deles, malha daqui, torce dali, parecia que estava a varrer a festa de São Bento da Porta Aberta.” (Torga, 1943: pp. 33)
Através deste excerto, podemos verificar que o Pereira, de alcunha o Minhoto, pelo que se depreende ser do Minho, onde a arte do Jogo do Pau sempre foi dominada, praticamente, por todos os rapazes, mesmo longe da sua terra natal soube resolver a quezília com a maestria da sua arte. O autor refere ainda o “varrer a festa”, termo utilizado, na época, quando em qualquer romaria ou feira se verificavam acertos de contas, onde o pau era a arma utilizada. Nestas feiras e romarias era normal estes varrimentos, todavia não em Pequim.


== Excerto da obra ==
== Excerto da obra ==

Edição atual desde as 11h29min de 19 de outubro de 2025

capa do livro

Sobre

  • Relevância: ★☆☆
  • Título: O senhor Ventura
  • Autor: Miguel Torga (1907-1995)
  • Publicação: Coimbra: Impresso nas oficinas da "Atlântida", 1943 (1ª edição)
  • Formato: 159 Páginas (19 cm x 13 cm)


O Senhor Ventura é uma novela da autoria de Miguel Torga, publicada pela primeira vez em 1943. O Senhor Ventura é a história de amor e morte de um emigrante português que procura infrutiferamente opor-se a um destino trágico. [1]

Resumo do excerto da obra

O excerto conta a história de Pereira, um minhoto que trabalha como cozinheiro e é também exímio jogador de pau. Um dia, alguns marinheiros americanos embriagados insultam Pereira, que reage com o seu pau, derrotando-os rapidamente. Quando os marinheiros americanos voltam para se vingar, o alentejano que trabalha com Pereira tenta acalmá-los, mas os americanos insistem e acabam lutando com Pereira e o alentejano, numa cena violenta em que há cacetadas e garrafas quebradas. A história transmite a ideia de que Pereira é um homem corajoso e habilidoso no combate, e a sua resposta à provocação dos marinheiros americanos é rápida e eficaz.

Interpretação analítica

O artigo "Turismo Cultural - Património Literário Português do Jogo do Pau na oferta de novas experiências turísticas" dá-nos uma análise literária do Jogo do Pau português, reunindo um corpus de quatro romances que melhor retratam esta arte tradicional e o contexto sociocultural em que se desenvolveu. Através de uma abordagem analítica e interpretativa, o estudo procura identificar de que forma a literatura portuguesa representou o universo rural, as práticas de defesa e as expressões simbólicas associadas ao Jogo do Pau, evidenciando o seu valor enquanto património imaterial e elemento identitário da cultura popular.


Miguel Torga(1943) 1ª edição, Senhor Ventura, Coimbra, Atlântida.

Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, nasceu na aldeia de São Martinho de Anta, em Sabrosa, Trás-os-Montes. Frequentou Medicina em Coimbra, terminando o curso em 1933, indo exercitar a profissão de médico para Miranda do Corvo. Alguns anos mais tarde, regressa à cidade de Coimbra, onde se fixa definitivamente. É a partir de 1936 que começa a utilizar o pseudónimo que o tornou célebre. A sua obra em prosa, poesia e teatro é reconhecida mundialmente.

O conto Senhor Ventura é um conto que retrata a vida de um português que irá viajar pelo mundo. Neste conto, a personagem principal saiu de Penedono, no Alentejo, na idade de cumprir o serviço militar. Fez a recruta em Lisboa e logo foi mobilizado para Macau. Nesta ex-província ultramarina, o Sr. Ventura perde-se de amores por Júlia, uma linda moça, filha do secretário do Governador.

Apresentada a queixa, o comandante manda fazer guarda rigorosa durante a noite, sendo o Sr. Ventura quase apanhado. Não lhe sobrou outra hipótese que não fugir rápido para o porto e embarcar no primeiro navio que zarpasse. Foi, desta forma, dado como fugitivo, pelo que não poderia voltar nos anos mais próximos a Portugal.

Aportou em Pequim, onde começou a trabalhar numa garagem e aí conheceu o Pereira, de alcunha o Minhoto, também ele desertor. Com uns dinheiritos que juntou, e dado que o Pereira tinha um jeito especial para cozinhar, abriu numa rua escura, junto ao porto, um pequeno restaurante de comida portuguesa. O negócio proliferava e o Pereira trabalhava arduamente, enquanto o Sr. Ventura só vinha dar uma ajuda nos dias de mais movimento (Torga, 1943).

Um dia, porém, uns marinheiros americanos deram cabo daquela felicidade. Entraram, começaram a carregar no Porto, embebedaram-se, e às tantas insultaram o Minhoto. “Sem saberem os coitados, que o Pereira, além de cozinhar assim, jogava o pau. (...) Mas o Pereira cerrou-lhes os lábios de uma assentada. Salta para o meio deles, malha daqui, torce dali, parecia que estava a varrer a festa de São Bento da Porta Aberta.” (Torga, 1943: pp. 33)

Através deste excerto, podemos verificar que o Pereira, de alcunha o Minhoto, pelo que se depreende ser do Minho, onde a arte do Jogo do Pau sempre foi dominada, praticamente, por todos os rapazes, mesmo longe da sua terra natal soube resolver a quezília com a maestria da sua arte. O autor refere ainda o “varrer a festa”, termo utilizado, na época, quando em qualquer romaria ou feira se verificavam acertos de contas, onde o pau era a arma utilizada. Nestas feiras e romarias era normal estes varrimentos, todavia não em Pequim.

Excerto da obra

« Um dia, porém, uns marinheiros americanos, de passeio, deram cabo daquela felicidade. Entraram, começara, a carregar no Porto, embebedaram-se, e ás tantas insultaram o minhoto. Sem saberem, coitados, que o Pereira, além de ser bom cozinheiro, sabia jogar o pau. Quando o viram surgir de cacete na mão, os do mar, fiados nas leis do boxe e na musculatura yankee, riram-se. Mas o Pereira cerrou-lhes os lábios duma assentada. Salta para o meio deles, malha daqui, torce dali, parecia que estava a varrer a festa de S. Bento da porta Aberta. Em menos de um fósforo tinha a casa limpa.

(…) E, como aparecessem novamente marujos americanos, o alentejano tentou apaziguar os ânimos, não consentindo que o Pereira arredasse pé das caçarolas. Mas os do Tio Sam vinham com ela fisgada. Queriam vingar os camaradas. E tanto disseram, tanto provocaram, que em dado momento o Senhor Ventura perdeu a cabeça e gritou lá para dentro: – Ó Pereira, anda aqui dar uma ajuda! – Caiu o Carmo e a Trindade. Um da direita e o outro da esquerda, ás cacetadas a eles, não deixaram cabeça sem sangue nem garrafa inteira. »

Ver também

Links externos

Referências