Livro: Patria: diferenças entre revisões

Fonte: Jogo do Pau Português
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Cena XX
Cena XX<br>
 
O DOIDO, na escuridão:
O DOIDO, na escuridão:


Tive uma espada… Ah, como um raio, ardia, ardia
Tive uma espada… Ah, como um raio, ardia, ardia<br>
Na minha mão!…
Na minha mão!…<br>
Quem m’a levou? quem m’a trocou, quando eu dormia.
Quem m’a levou? quem m’a trocou, quando eu dormia.<br>
Por um bordão ?!…
Por um bordão ?!…


(...)
(...)


Chegaram as tropas e eu, desarmado,
Chegaram as tropas e eu, desarmado,<br>
Zás! desbaratei-as com o meu cajado!
Zás! desbaratei-as com o meu cajado!<br>


E puz-me a cantar! e puz-me a cantar!
E puz-me a cantar! e puz-me a cantar!


Tremendo, a rainha disse então ao rei:
Tremendo, a rainha disse então ao rei:<br>
Emquanto o não matem não descançarei.
Emquanto o não matem não descançarei.<br>
Com teus cavalleiros vae-m’o tu buscar,
Com teus cavalleiros vae-m’o tu buscar,<br>
Traz-m’o aqui de rastros para o degolar.
Traz-m’o aqui de rastros para o degolar.<br>


Veio o rei á frente d’um grande estadão,
Veio o rei á frente d’um grande estadão,<br>
Zás! desbaratei-o com o meu bordão!
Zás! desbaratei-o com o meu bordão!<br>
É de temer, é de temer
É de temer, é de temer<br>
Um doido varrido com um pau na mão!…<br>
Um doido varrido com um pau na mão!…<br>
<small>(Páginas 132-133)</small>
<small>(Páginas 132-133)</small>

Edição atual desde as 20h27min de 9 de fevereiro de 2026

capa do livro

Sobre

  • Relevância: ★☆☆
  • Título: Pátria
  • Autor: Guerra Junqueiro (1850-1923)
  • Publicação: Porto : Livraria Chardron, de Lélo & Irmão, 1927
  • Formato: Livro de bolso de 15 páginas


Pátria é uma obra poética e dramática de Guerra Junqueiro, publicada em 1896, que teve um enorme impacto social e político em Portugal ao denunciar a decadência nacional e criticar severamente a monarquia. Considerado um dos livros que "marcam época", reflete a indignação do autor face ao Ultimato Inglês e à percebida apatia do país.[1]

Excerto da obra

« Cena XX
O DOIDO, na escuridão:

Tive uma espada… Ah, como um raio, ardia, ardia
Na minha mão!…
Quem m’a levou? quem m’a trocou, quando eu dormia.
Por um bordão ?!…

(...)

Chegaram as tropas e eu, desarmado,
Zás! desbaratei-as com o meu cajado!

E puz-me a cantar! e puz-me a cantar!

Tremendo, a rainha disse então ao rei:
Emquanto o não matem não descançarei.
Com teus cavalleiros vae-m’o tu buscar,
Traz-m’o aqui de rastros para o degolar.

Veio o rei á frente d’um grande estadão,
Zás! desbaratei-o com o meu bordão!
É de temer, é de temer
Um doido varrido com um pau na mão!…
(Páginas 132-133) »

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Referências