Mestre: Florêncio Ribeiro Mota («Tripa»)

Fonte: Jogo do Pau Português
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Outros nomes Tripa
Nascimento 23-07-1903
Morte (+/-) 1980
Nacionalidade Portuguesa
Naturalidade Bairro São Jorge (Fafe)
Escola Fafe

Assinatura
Assinatura florencio tripa.png

Sobre

Florêncio Ribeiro da Mota, conhecido pela alcunha de "Tripa", nasceu no Bairro de São Jorge, em Fafe, a 23 de julho de 1903. Foi um dos mais destacados praticantes da Escola de Fafe durante a primeira metade do século XX, sendo frequentemente apontado como um dos melhores jogadores do Norte de Portugal.[1]

Era irmão mais novo de Serafim "Tripa", com quem partilhava a célebre alcunha herdada do pai. Ambos receberam formação na tradição fafense do Jogo do Pau, sendo discípulos de Alberto Gonçalves, conhecido como "Albertinho da Aldeia", um dos mais reputados mestres da região.[2]

Profissionalmente exerceu a profissão de fundidor, trabalhando nas proximidades da Fábrica do Ferro, no Bairro de São Jorge. Paralelamente, desenvolveu intensa atividade como jogador de pau, integrando durante as décadas de 1930 e 1940 o Grupo Desportivo de Jogo do Pau de Fafe, considerado o primeiro grupo organizado da modalidade na região.[3]

O seu prestígio ultrapassou rapidamente os limites de Fafe. Em 1946 foi convidado para participar em vários festivais promovidos pelo Grupo de Jogo do Pau «Os Portucalenses», no Porto, onde enfrentou alguns dos melhores praticantes da época. A imprensa desportiva apresentou-o então como «o melhor jogador do Norte e um dos melhores de Portugal», destacando a superioridade técnica demonstrada nos combates públicos que realizou.[1]

No torneio organizado pelos «Os Portucalenses» em 1946, conquistou o primeiro lugar, vencendo com distinção vários adversários e confirmando a reputação que já possuía entre os praticantes da modalidade.[4]

Para além da sua atividade desportiva, destacou-se igualmente pela oposição ao regime do Estado Novo. Em 1948 foi investigado pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) devido às suas atividades políticas, vindo posteriormente a ser condenado e encarcerado na Fortaleza de Peniche. Após cumprir pena, foi libertado em 24 de janeiro de 1953.[5]

A sua notoriedade permaneceu viva durante décadas. Diversos testemunhos recolhidos na região de Fafe continuaram a identificá-lo como um dos grandes jogadores da sua geração, sendo frequentemente recordado ao lado do irmão Serafim "Tripa" e de outros nomes marcantes da escola fafense.[3]

Florêncio Ribeiro da Mota é hoje considerado uma das figuras históricas mais importantes do Jogo do Pau de Fafe, tendo contribuído para a projeção nacional da escola e para a preservação de uma das mais características tradições marciais do Norte de Portugal.

Publicações onde é citado

« Não esquecendo três grandes jogadores: Serafim Tripa de São Martinho de Silvares, Florêncio Tripa e Albano Ramos do Bairro de São Jorge.

Um domingo quando ia para o treino de futebol, no ano de 1954, por volta das 8:00 da manhã, encontrei quatro homens a jogar ao pau, Mestre Quéo e três irmãos António, José e Custódio, conhecidos por “os Moleiros”. (...)

A partir dessa data, continuei até ao ano 1964. Durante esse tempo passaram mais de 150, e quando a equipa fazia demonstrações encontrava-se com 20 a 30 jogadores.

Podemos salientar outros grandes jogadores: Joaquim Lopes e seu filho Valdemar, António Lopes, João Lopes, e seu filho Mário, Serafim Tripa e sua filha Maria do Carmo, Florêncio Tripa e António Chambeta.»
MARINHO, Júlio Alves, A memória do jogo do pau - José Queo, Ass. Cul. Portugaise, 25 Janeiro 2001 (ler o artigo)

« FESTIVAIS DESPORTIVOS

Numa sessão solene, foram, ontem, distribuidos os premios da «Volta a Coimbrões» e ao torneio de jogo do pau, organizações do Grupo Jogo do Pau «Os Portucalenses» (...)

Em seguida, o sr. Moreira Júnior, procedeu à entrega das medalhas do torneio do jogo de pau, cujos vencedores, Florêncio Mota, do Grupo de Jogo do Pau de Fate, que venceu com brilho, atleta de «Os Portucalenses», Manuel Veiga e José Ramos, de «Os Portucalenses» que venceu o categorisado jogador de Fafe Joaquim Lopes, foram muito premiados. »
Jornal «O Comércio Do Porto», de 12 agosto de 1946 (ver mais)

« Decorreu brilhante, o festival organizado pelo Grupo de Jogo do Pau «Os Portucalesnes»

Em seguida, Manuel Valga, possante e corajoso jogador de « Os Portucalesnes» enfrentou o fortissimo fafanese Florêncino Mota o melhor jogador do Norte e um dos melhores de Portugal.

Num combate em que se viu claramente a melhor técnica do jogador de Fafe, soblevar o maior arrojo do seu adversário, o corajoso Manuel Valga, a vitoria pertenceu ao fafense. (...) »
Jornal «O Comércio Do Porto», de 5 agosto de 1946 (ver mais)

« Ás 16 horas, início do festival, com uma demonstração do Jogo do pau, em conjunto, pelo Grupo «Os Portucalenses». Demonstração-combate pelo professor Bernardino Filipe e Silvestre Maia. Combate de fundo, entre o atleta de «Os Portucalenses» Manuel Valga, e Florêncio Mota, jogador de Fafe e um dos melhores de Portugal; (...) »
Jornal «O Comércio Do Porto», de 26 julho de 1946 (ver mais)

Conhecimentos técnico

Mestres onde obteve conhecimentos técnicos do Jogo do Pau português:

Linhagem de Mestres (Link externo) Toda a escola de Fafe (Link externo)

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Galeria de imagens

Vídeos

2019-06-19 - Jogo do Pau - Presente e Futuro
Documentário feito com os relatos históricos da filha do mestre Serafim "Tripa", Sra. Maria do Carmo e seu marido, Sr. António "de Covas"

Ver também

Referências

  1. ↑ 1,0 1,1 Jornal O Comércio do Porto, de 5 de agosto de 1946 (ver mais).
  2. ↑ SIMÕES, Rui Fernando Almeida, O Jogo do Pau em Portugal: processos de mudança, Universidade Nova de Lisboa, 1990.
  3. ↑ 3,0 3,1 MARINHO, Júlio Alves, A memória do jogo do pau - José Quéu, Associação Cultural Portugaise, 25 de janeiro de 2001.
  4. ↑ Jornal O Comércio do Porto, de 12 de agosto de 1946 (ver mais).
  5. ↑ Registo da PIDE de Florêncio Ribeiro da Mota (ver documento]).
  6. ↑ https://digitarq.arquivos.pt/documentDetails/ec6d1e58ffc4465d9231df94e48b78c7