Jogo na Zona Norte

Fonte: Jogo do Pau Português
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ZONA REGIONAL : NORTE

Porto

Largo Jogo do Pau - 4795-564 São Tomé Negrelos, Santo Tirso, Porto

Rua Jogo do Pau - 4620-460 Nogueira, Lousada, Porto

Ermesinde

A tradição do Jogo do Pau em Ermesinde não se fez apenas de escolas ou de mestres formais, mas sobretudo de homens cujo talento e carácter ficaram gravados na memória local. Entre eles destacam-se três figuras singulares — Zé Casqueira, Chico Pedreiro e Zé do Telhado — cada uma representando um modo próprio de viver e transmitir esta arte.

O Zé Casqueira, de nome José Ribeiro, foi talvez o mais típico jogador de pau ermesindense: homem do povo, comerciante de gado, sempre com o pau por perto e com fama de destemido. O seu apelido nasceu do grito que soltava no calor do jogo — “ou dá casca ou casqueira!” — frase que bem sintetizava o seu estilo aguerrido. Jogava nas feiras das redondezas e em duelos improvisados diante da tasca da “Arminda do Custódio”, em Alfena, alguns dos quais acabavam mal e lhe valeram inúmeros processos nos tribunais. Figura conhecida entre Ermesinde e Alfena, deixou rasto entre os grupos locais de jogadores, como o chamado “Grupo do Reguengo”.

Outra figura marcante foi o Chico Pedreiro de Ermesinde, imortalizado por Aquilino Ribeiro na obra O Malhadinhas. Pedreiro de ofício, era um mestre habilidoso que ensinava a juventude a jogar o pau atrás do cemitério. Aquilino descreve-o como um jogador extraordinário, capaz até de aparar pedras lançadas por dois homens apenas com o varapau. Segundo Jacinto Soares, o autor e historiador do livro "Retalhos históricos, urbanísticos e culturais da nossa cidade", identifica nele possivelmente o ancião conhecido por “Porena”, que habitava num antigo moinho em Sá e de quem se dizia ter sido excelente jogador de pau. Assim, entre a literatura e a memória oral, Chico Pedreiro permanece como um símbolo da transmissão artesanal desta arte.

Por fim, o nome mais célebre associado ao Jogo do Pau — embora a sua vida tenha transcendido muito o contexto local — é o Zé do Telhado, o lendário bandoleiro “que roubava aos ricos para dar aos pobres”. Nascido em Castelões de Recezinhos em 1816, viveu parte da juventude na região e foi reconhecido como hábil jogador de pau. Soldado nos Lanceiros da Rainha, combatente nas guerras liberais e figura destacada na revolução da Maria da Fonte, salvou a vida de Sá da Bandeira, sendo agraciado com a Torre e Espada. Preso mais tarde e degredado para Angola, morreu em Malange em 1875, já venerado como “Kimuezo”, o homem das barbas brancas. A lenda popular não esqueceu a sua destreza com o pau, que contribuiu para a construção do seu mito de valentia.

Braga

Fafe
Vieira do Minho
Montalegre (Salto)
Bucos (Cabeceiras de Basto)
Vilarinho da Furna

Em Vilarinho da Furna, situada no concelho de Terras de Bouro, no coração do Gerês, o Jogo do Pau não era uma prática tradicionalmente enraizada, apesar de estar inserido na região minhota onde a arte era mais comum. Era praticado apenas por alguns indivíduos que a haviam aprendido fora da aldeia, nomeadamente em feiras, romarias ou durante ausências prolongadas. Assim, o jogo era visto como uma habilidade útil de defesa pessoal, mas sem expressão comunitária nem continuidade local.[1]

Bragança

Nas Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança do Abade de Baçal, o jogo do pau português aparece como uma prática de combate popular profundamente enraizada na vida rural da região, especialmente em tempos de guerra e conflitos. Em tempos de guerra, os habitantes de Trás-os-Montes eram frequentemente obrigados a trocar as ferramentas agrícolas pela defesa armada, usando chuços e, mais notoriamente, paus ou foices roçadouras. Estes instrumentos, parte do dia-a-dia agrícola, tornavam-se armas eficazes em tempos de necessidade, refletindo o espírito de autodefesa e a adaptação das populações às circunstâncias adversas.

Podemos encontrar também nestes relatos, um jogador com o nome de Canedo, um "varredor" de feiras e romarias nos séculos passados. Era um brigão notável, natural de Santulhão, concelho de Vimioso, que eventualmente encontrou o seu fim num motim durante a romaria do Santo Antão da Barca, no concelho de Alfândega da Fé, em 1902.[2]

Guimarães

Costa, Urgeses, Polvoreira e S. Romão

Segundo o etnógrafo Alberto Alves Vieira Braga no seu livro Curiosidades de Guimarães, o jogo do pau na região era cultivado em várias freguesias, como Costa, Urgeses, Polvoreira e S. Romão, onde os praticantes se reuniam para adestrar os seus movimentos e técnicas.

Há ainda a obra literária de Joaquim António Ferreira da cidade de Guimarães, um pequeno livro técnico do Jogo do Pau. Podemos encontrar neste livro várias técnicas a aplicar descritas para estas situações são simples e eminentemente ofensivas, constam de "avanços" e "crescimentos" com um ou dois passos, conjuntamente com "varrimentas" simples e dobradas, também têm lugar os "sacudimentos ao lado" os "vira costas" e as "pontuadas" bem como o ladear pela esquerda e pela direita.

Ponte de Lima

Boalhosa

O registo mais antigo sobre o jogo do pau nesta região, remete-nos ao ano de 1961, quando Padre Manuel Dias é transferido para a freguesia de Serdedelo, no concelho de Ponte de Lima e, mais tarde, assume também a paróquia da Boalhosa. Nessa época, procede ao registo de algumas notas etnográficas, de que se destacam o jogo do pau e os costumes funerários.[3]

O Jogo do Pau é uma constante presença na Feiras Novas, e em 1969, numa tentativa de ir ao encontro das raízes mais profundas da região, do mesmo modo que o Cortejo Etnográfico, realizou-se o 1.º Festival Popular da Desgarrada e o 1.º Torneio de Jogo do Pau.

Veja mais na página Jogo do Pau Boalhosa.

Aveiro

Cucujães

Diz a memória popular que em Cucujães havia um padre que jogava muito bem o Jogo do Pau, um dia por azar, deu uma paulada na cabeça do opositor … e este morreu!... Treino que correu mal. Este foi o testemunho de um popular a Valter Santos, quando recolhia matéria para o livro «Cucujães Antigo e Moderno». Segundo reza esta historia, o levaram o corpo para os pinhais da Ínsua e aí discretamente se enterrou o corpo. Mas o senhor padre da época, o Abade João Domingos Arede, por vias das dúvidas redigiu em 1901 o Assento de Óbito. (ver mais)

Referências

  1. ↑ Livro «Vilarinho da Furna uma aldeia comunitária» de 1983 (ver mais)
  2. ↑ Livro «Cancioneiro Tradicional e Danças Populares Mirandesas» de 1984 (ver mais)
  3. ↑ Notas etnográficas de Jogo do Pau em Boalhosa - Ponte de Lima (ver mais)