Francisco Padinha

Fonte: Jogo do Pau Português
Nascimento 1870
Morte 1918
Nacionalidade Portuguesa
Naturalidade Olhão

Sobre

Francisco Padinha foi Campeão Nacional de luta greco-romana em representação do Real Clube Naval e, sobretudo, um notável halterofilista recordista nacional (dévoleppé, com dois braços, 116Kg; arraché à esquerda 72Kg e levantamento do solo, 207 Kg) e, mais tarde, Campeão Mundial na modalidade flexão de coxas com barra apoiada nos ombros, ao levantar 190,5 Kg.

Este recorde mundial causou na altura enorme estupefacção já que alguns entendidos consideravam os 190 Kg uma barreira mítica inultrapassável. Refira-se que Francisco Padinha ultrapassou o anterior recordista mundial, Manuel Silveira, também ele português, que em 1909 tinha levantado 185,5 Kg, mais 45,5Kg que o anterior recorde e por isso, considerado por muitos especialista impossível de destronar.

Foi também atleta do Sporting Clube de Portugal na equipa de Luta de Tracção à Corda que manteve a total hegemonia do Clube nesta modalidade durante vários anos. (ver fotografia abaixo)

No início de 1914, encontrou uma nova paixão, o jogo do pau. Treinou com um dos melhores professores do país na altura, Artur dos Santos. Segundo o metres, «Padinha, dizia, era rápido, elegante e com a souplese de um rapaz de 60 quilos».

Francisco Padinha faleceu prematuramente em 1918 devido a cirrose alcoólica que, na época, era o resultado de um comportamento considerado apropriado em homens com a sua compleição física.

O Sporting Clube Olhanense homenageou-o dando o seu nome ao estádio de futebol onde este clube realizou os seus jogos desde 1923 até 1984. [1]

Publicações onde é citado

« Grupo Sportivo dos Caixeiros de Lisboa

Continuam funccionando, com grande enthusiasmo, as aulas d'este grupo.

Mantem-se em constante actividade as aula de jogo de pau, «box», lucta e pesos dirigidas pelos professores Sr. Jorge de Sousa, Ruivo, Carlos Alberto Simões e Francisco Padinha, que a este grupo teem dedicado boa vontade. »

Jornal «A Capital» de 6 fevereiro 1916 (ver mais)

« Francisco Padinha era um gigante de bigode fininho, bem cuidado e com uma volta nas pontas. Tinha começado na luta greco-romana e evoluído para o levantamento de pesos. Natural de Olhão, Padinha pesava mais de 115 quilos, mas era capaz de levantar muito mais do que isso acima da cabeça. Desafiado num treino, sem preparação, levantou 128 quilos.

No início de 1914, ficou a saber-se pelos jornais que Padinha, sem rival em Portugal no que dizia respeito à força, tinha encontrado uma nova paixão, o jogo do pau. Há vários meses que treinava com um dos melhores professores do país, Artur dos Santos. E o mestre não lhe poupava elogios — Padinha, dizia, era rápido, elegante e com a souplese de um rapaz de 60 quilos. »

1914 Portugal no ano da Grande Guerra, Francisco Padinha, Oficina do Livro, 2014 (ver mais)

« Padinha jogador de pau

Quem tal diria? A verdade, porém, que Francisco Padinha, com os 115 kilos de peso, enorme, de musculos poderosissimo, pratica o jogo de pau com o professor Arthur dos Santos. É também verdade que este affirma que o athleta é um rapaz de habilidade e, - coisa curiosa - com agilidade e com souplesse.

Padinha salta, pula, correl Passa a volta à segunda com a mesma rápidez de um rapaz de 60 kilos! É uma maravilha! Em todo o caso, antes que o crine se cómmetta, queremos dar um conselho aos organizadores dos saraus, especialmente aos do Gymnasio Clube, que já acalentam, sorridentes e triumfantes, a exibição de um grande número nos saraus do Cloliseu.

Não deixem que o Padinha assalte em publico, com adverario que lhe faça frente... Elle é terrivel! Destreinado, quando Salvador Chevalier Maurice Doriaz o apertavam nuns treinos de pesos, elle fez maravilhas e chegou a tirar para cima da cabeça com 128 kilos ao jeté! Calculem o que o que não sucederia com um pau, sarilhando e arrancando com uma pancada de alto a baixo, ou entrando com uma postuada aos olhos!... É preciso prudencia, e toda a cautella é pouca...

Em todo o caso, folicitamos o mestre por desemperrar as musculosas articulações do hercules e este porque não quer crystallisar a sua forma osportiva apenas em trabalho de forga!

Shamrock »

Jornal «A Capital» de 6 janeiro 1914 (ver mais)

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Ver também

Referências