Chico Pedreiro: diferenças entre revisões

Fonte: Jogo do Pau Português
 
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'''Outro ermesindense que ensinava a jogar o pau'''
Outro ermesindense que ensinava a jogar o pau


Eis a história de outro jogador de pau, este referenciado na obra de Aquilino Ribeiro ''O Malhadinhas'', onde se dá a conhecer um tal "Chico Pedreiro de Ermesinde", que foi o mestre e formador de um beirão nesta arte que agora aproveita para o engrandecer e elogiar. Para uma melhor compreensão, publicamos um extracto desse texto, na ortografia original:
Eis a história de outro jogador de pau, este referenciado na obra de Aquilino Ribeiro ''O Malhadinhas'', onde se dá a conhecer um tal "'''Chico Pedreiro de Ermesinde'''", que foi o mestre e formador de um beirão nesta arte que agora aproveita para o engrandecer e elogiar. Para uma melhor compreensão, publicamos um extracto desse texto, na ortografia original:


''"Ricos tempos em que era capaz de tais áfricas, ricos tempos! E Deus fale na alma de Chico Pedreiro, de Ermesinde, que veio da sua terra para a nossa erguer paredes e, começava eu a espigar, ia para trás do cemitério ensinar-me a jogar o pau!
''"Ricos tempos em que era capaz de tais áfricas, ricos tempos! E Deus fale na alma de '''Chico Pedreiro''', de Ermesinde, que veio da sua terra para a nossa erguer paredes e, começava eu a espigar, ia para trás do cemitério ensinar-me a jogar o pau!
Apanhei muita negra nas mãos e nos braços, mas, honra lhe seja, aprendi o manejo todo. Graças a ele e à presença de Rita, que me incutia vontade de ser homem, pude varrer aquela desfeita com brio! O Chico Pedreiro era a alma dum jogador! Dois homens a atirar-lhe pedras, as pedras a choverem umas atrás das outras por cima dele, e ele
Apanhei muita negra nas mãos e nos braços, mas, honra lhe seja, aprendi o manejo todo. Graças a ele e à presença de Rita, que me incutia vontade de ser homem, pude varrer aquela desfeita com brio! O '''Chico Pedreiro''' era a alma dum jogador! Dois homens a atirar-lhe pedras, as pedras a choverem umas atrás das outras por cima dele, e ele
parava-as só com o pau".''
parava-as só com o pau".''


Acontece também que, há muitas décadas atrás, quando o autor frequentava a escola primária, conheceu de vista um ancião que habitava por caridade, sozinho, num pequeno moinho de água, em Sá (já desaparecido), de quem se dizia ter sido pedreiro e um hábil jogador de pau. Era conhecido pelo apelido de "Porena". Será este ancião o Chico Pedreiro de Ermesinde? Confrontando as datas, julgamos que sim.
Acontece também que, há muitas décadas atrás, quando o autor frequentava a escola primária, conheceu de vista um ancião que habitava por caridade, sozinho, num pequeno moinho de água, em Sá (já desaparecido), de quem se dizia ter sido pedreiro e um hábil jogador de pau. Era conhecido pelo apelido de "Porena". Será este ancião o '''Chico Pedreiro''' de Ermesinde? Confrontando as datas, julgamos que sim.


NOTA: O Malhadinhas de Aquilino Ribeiro foi lançado em 1922, o que de certo modo se enquadra no mesmo tempo cronológico. Por outro lado foram recolhidos, pelo autor, outros indícios de conhecidos que alinharam pela mesma ideia de que o Porena era o "Pedreiro de Ermesinde".
NOTA: O Malhadinhas de Aquilino Ribeiro foi lançado em 1922, o que de certo modo se enquadra no mesmo tempo cronológico. Por outro lado foram recolhidos, pelo autor, outros indícios de conhecidos que alinharam pela mesma ideia de que o Porena era o "Pedreiro de Ermesinde".

Edição atual desde as 22h28min de 18 de novembro de 2025

Quem foi Chico Pedreiro

Entre as figuras mais antigas associadas ao Jogo do Pau na região de Ermesinde destaca-se o enigmático Chico Pedreiro, um homem cuja memória persiste sobretudo através da tradição oral e da literatura de Aquilino Ribeiro. A sua figura, embora envolta em sombras, marcou decisivamente a formação de um dos personagens mais emblemáticos da cultura popular portuguesa: o Malhadinhas, cuja vida real decorreu entre 1830 e 1914.

Tendo vivido provavelmente entre 1804 e 1880, Chico Pedreiro pertenceu à geração de mestres populares que transmitiam a arte do varapau de forma direta e prática, longe das escolas formais que só mais tarde se organizariam. Pedreiro de profissão — ofício duro e itinerante — chegou a Ermesinde para erguer paredes, mas cedo se tornou conhecido pela sua habilidade excepcional no jogo do pau. Foi ali, nos terrenos atrás do cemitério, que ensinou o jovem Malhadinhas, então a despontar para a vida e ansioso por provar o seu valor.

O testemunho mais vivo que possuímos provém da obra O Malhadinhas, onde Aquilino Ribeiro recupera a lembrança do seu mestre: um jogador vigoroso, capaz de aparar até pedras atiradas por dois homens, usando apenas o varapau como escudo e arma. O escritor recorda as negras nas mãos e nos braços, marcas da aprendizagem intensa, e o respeito profundo por aquele homem que lhe transmitiu não só técnica, mas também bravura e dignidade no confronto.

A tradição oral local conservou igualmente a memória de um ancião conhecido por Porena, habitante solitário de um moinho já desaparecido na zona de Sá, em Ermesinde. O conjunto de coincidências — profissão, idade aproximada e reputação como jogador de pau — levou alguns investigadores a acreditar que Chico Pedreiro e Porena poderiam ser a mesma pessoa, encerrando assim a última pista de uma vida que se esbateu antes de chegar ao século XX.[1]

Publicações

« E Deus fale na alma do Chico Pedreiro, de Ermesinde, que veio da sua terra para a nossa erguer paredes e, começava eu a espigar, ia para trás do cemitério ensinar-me a jogar o pau! Apanhei muita negra nas mãos e nos braços, mas, honra lhe seja, aprendi o manejo todo.

Graças a ele e à presença de Rita, que me incutia vontade de ser homem, pude varrer aquela desfeita com brio! O Chico Pedreiro era a alma dum jogador! Dois homens a atirar-lhe pedras, as pedras a choverem umas atrás das outras por cima dele, e ele parava-as só com o pau. »
RIBEIRO, Aquilino, O Malhadinhas, Lisboa: Bertrand, 1958 (ver mais)

« Outro ermesindense que ensinava a jogar o pau

Eis a história de outro jogador de pau, este referenciado na obra de Aquilino Ribeiro O Malhadinhas, onde se dá a conhecer um tal "Chico Pedreiro de Ermesinde", que foi o mestre e formador de um beirão nesta arte que agora aproveita para o engrandecer e elogiar. Para uma melhor compreensão, publicamos um extracto desse texto, na ortografia original:

"Ricos tempos em que era capaz de tais áfricas, ricos tempos! E Deus fale na alma de Chico Pedreiro, de Ermesinde, que veio da sua terra para a nossa erguer paredes e, começava eu a espigar, ia para trás do cemitério ensinar-me a jogar o pau! Apanhei muita negra nas mãos e nos braços, mas, honra lhe seja, aprendi o manejo todo. Graças a ele e à presença de Rita, que me incutia vontade de ser homem, pude varrer aquela desfeita com brio! O Chico Pedreiro era a alma dum jogador! Dois homens a atirar-lhe pedras, as pedras a choverem umas atrás das outras por cima dele, e ele parava-as só com o pau".

Acontece também que, há muitas décadas atrás, quando o autor frequentava a escola primária, conheceu de vista um ancião que habitava por caridade, sozinho, num pequeno moinho de água, em Sá (já desaparecido), de quem se dizia ter sido pedreiro e um hábil jogador de pau. Era conhecido pelo apelido de "Porena". Será este ancião o Chico Pedreiro de Ermesinde? Confrontando as datas, julgamos que sim.

NOTA: O Malhadinhas de Aquilino Ribeiro foi lançado em 1922, o que de certo modo se enquadra no mesmo tempo cronológico. Por outro lado foram recolhidos, pelo autor, outros indícios de conhecidos que alinharam pela mesma ideia de que o Porena era o "Pedreiro de Ermesinde". »
SOARES, Jacinto, Retalhos históricos, urbanísticos e culturais da nossa cidade. Livro IV, Subsídios para a sua monografia, Ermesinde, 2024 (ver mais)

Ver também

Referências

  1. ↑ SOARES, Jacinto, Retalhos históricos, urbanísticos e culturais da nossa cidade. Livro IV, Subsídios para a sua monografia, Ermesinde, 2024 (ver mais)