Mestre: Domingos Varejão
| Outros nomes | Varejão |
| Nascimento | 1884 |
| Morte | 1954 |
| Nacionalidade | Portuguesa |
| Naturalidade | (?) Lisboa |
| Escola | Lisboa |
| Local | Almada |
Sobre
Domingos Ribeiro Varejão, mais conhecido por Mestre Varejão, nasceu em 1884 e foi um dos mais destacados mestres da Escola de Lisboa durante a primeira metade do século XX.[1]
Iniciou a prática do Jogo do Pau Português relativamente tarde, aos 22 anos de idade, por volta de 1904, tornando-se discípulo de Domingos de Couras Salréu, um dos mais reputados mestres da sua geração. Posteriormente aperfeiçoou os seus conhecimentos junto de José Gonçalves Dias («o 95»), considerado por muitos contemporâneos um dos mais competentes mestres da Esgrima Nacional.[1][2]
Estabeleceu a sua escola na Quinta da Alegria, em Cacilhas, onde mandou construir um recinto próprio para o ensino da modalidade. Exercendo a profissão de ferro-velho, conciliava a sua atividade profissional com o ensino do Jogo do Pau, mantendo aulas regulares e deslocando-se frequentemente para ministrar lições particulares ou a pequenos grupos em diversas localidades da região de Setúbal.[2]
Segundo testemunhos recolhidos por Rui Simões, foi uma personalidade marcante e excêntrica, assumindo abertamente o caráter profissional da sua atividade como mestre de Jogo do Pau. A sua fama ultrapassou a região de Almada, tendo discípulos em Santana, Sesimbra e noutras localidades da margem sul do Tejo.[2]
Entre os seus alunos mais notáveis contam-se Domingos Miguel, que viria a tornar-se um dos mais influentes mestres do século XX, e António Vicente da Silva, considerado um dos grandes jogadores da região de Sesimbra.[1] O próprio Domingos Miguel iniciou a sua aprendizagem sob a orientação de Varejão antes de prosseguir estudos com Salréu e José Dias «o 95».[2]
O seu prestígio era tal que Frederico Hopffer o recordava como um dos aprendizes mais promissores do mestre José Dias, enquanto Elias Gamero o descrevia como um jogador praticamente imbatível, capaz de enfrentar sozinho os melhores praticantes da sua época.[3][2]
Participou em numerosas demonstrações públicas e sessões de divulgação da modalidade. Em 1946, numa sessão organizada por Frederico Hopffer, apresentou publicamente o seu método de ensino, realizando diversos assaltos com discípulos e explicando os diferentes golpes perante uma assistência numerosa, sendo muito aplaudido.[1]
Reconhecido pelos seus contemporâneos como um dos grandes mestres da Esgrima Nacional, Domingos Varejão deixou uma influência duradoura na região de Almada e em toda a margem sul, contribuindo decisivamente para a formação de várias gerações de jogadores e para a consolidação da Escola de Lisboa durante a primeira metade do século XX.[1][2]
Faleceu em 1954, aos 70 anos de idade.[1]
Publicações onde é citado
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« "O Margarido era (tinha) um jogo diferente do jogo do Moleiro. O jogo do Moleiro era um jogo mais ou menos o do jogo do Ateneu Comercial: (...) O do Margarido era um jogo duro, de um jogador antigo, que era o Varejão... (e o jogo) do Calado» (Entrevista ao Mestre António Brinca em 1989). A escola do Pinhal Novo, rival da anterior, criada pelo mestre Domingos Henrique Margarido, natural do Pinhal Novo, e discipulo do mestre Calado, tinha um tipo de jogo extremamente violento, e manteve uma acesa rivalidade com a escola de mestre Moleiro (Valdera). Mas as escolas ligavam-se essencialmente ás zonas de residencia dos mestres. Nestas, criava-se uma atitude grupo forte, ligada essencialmente à figura do mestre com quem se aprendiz, e de quem se fazia o Jogo. Em Cacilhas e na Cova de Piedade, tiveram lugar duas escolas, no periodo entre o inicio do século e os anos 40, após o que declinou fortemente a prática; mais tarde, nos anos 80, uma terceira, na Cova da Piedade. A primeira, foi orientada por Domingos Varejão, que se iniciou na prática aos 22 anos de idade, e foi aluno de Salrèu e do contra-mestre deste, o "95". Trabalhando como ferro velho, ensinou Jogo do Pau até bastante tarde, num recinto especialmente construido, na Quinta da Alegria. Personagem excêntrico, assumia o profissionalismo da sua prática, e para além da escola que mantinha deslocava-se a vários locais para dar "lições" particulares ou a pequenos grupos. Teve alunos em Santana, e para os lados de Sesimbra, segundo informa mestre Elias Gamero. A outra escola teve como mestre Domingos Miguel, também aluno inicialmente de Domingos Varejão, do mestre Salrèu e do "95"; a partir de 1929, tornou-se mestre do Ateneu Comercial de Lisboa, e simultaneamente, do Lisboa Ginásio Clube. "Ele fez muitos discipulos (Varejão) ... o próprio Domingos Miguel foi aluno dele ... foi um dos grandes também .. vinham de todo o lado, e não havia nenhum que lhe fizese frente; ele ia sozinho, quando lá havia jogadores, ia ao encontro deles, e jogava à vontade, e não havia nenhum que lhe fizesse frente. E o Varejão era a mesma coisa" (Entrevita a Mestre Elias Gamero em 1989)
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(...) Estou a referir-me às escolas que conheci o distrito de Setúbal, porque em minha opinião pessoal, creio que aonde mais se praticou o jogo do pau, foi neste distrito, desde o principio deste século. Escolas e mestres que conheci: Domingos Varejão e Domingos Miguel, Concelho de Almada; (...)»
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« O mestre José Gonçalves Dias foi um dos mais competentes mestres da esgrima nacional, senão o melhor. Ensinou os melhores jogadores da sua época, mais tarde mestres como Frederico Hopffer (pai), Domingos Alves, Domingos Varejão, (...) (...) António Vicente (...) Fui seu primeiro mestre Domingos Varejão, mais tarde Domingos Miguel, com quem treina actualmente. (...) Na sala dos Bombeiros Voluntários do Dafundo realizou-se por iniciativa do mestre Frederico Hopffer (...) assistiram à sessão muitos amadores e recordamo-nos de ver os senhores: Dr. José Maria Rangel de Sampaio, Mestre Domingos Varejão com cinco discípulos, Frederico Hopffer e Júlio Hopffer filhos do mestre Hopffer (...) A sessão começou por um assalto entre o mestre Domingos Varejão e o seu discípulo Domingos Ribeiro. (...) Seguiu-se um assalto entre o mestre Varejão e o seu discipulo José dos Santos. Bom assalto! (...) Depois, o mestre Domingos Varejão expôs o seu método de ensino, assaltando à medida que ia explicando os diferentes golpes. Agradou, sendo muito aplaudido. (...) Domingos Ribeiro Varejão deu lições em Cacilhas. (...) O mestre Domingos Varejão ocupa entre os grandes mestres de Esgrima Nacional, um lugar de destaque. Começou a jogar o pau com 22 anos de idade, foi discípulo dos mestres Domingos de Coura Salréu e José Gonçalves Dias «95». Pôs bastantes homens a jogar bem, entre os quais, Domingos Miguel e o grande jogador António Vicente da Silva, natural de Sezimbra. Faleceu aos 70 anos de idade.
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Passando em revista os nomes dos jogadores e mestres famosos, mais uns que reza a tradição e outros que conhecemos contam-se (...) o Varejão, O Pimpão, o Pisão, João Confeiteiro, Brasete, Domingos Alves (...)
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Na velha Praça de Toiros da Vila da Moita, a partir do dia dia 26 de Novembro de 1922, o Jogo do Pau teve a sua estreia e fez parte em muitos espectáculos ali realizados, durante muitos e muitos anos.
Nomes que fizeram história no Jogo do Pau: |
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« (...) mestre Domingos Varejão com cinco discípulos, Frederico Hopffer e Júlio Hopffer, filhos do mestre Hopffer, eng. Mota e Sousa, António Montez e Mário Montez (...) A sessão começou por um assalto entre o mestre Domingos Varejão e o seu discípulo Domingos Ribeiro. Seguiu-se um assalto entre o mestre Varejão e o seu discípulo José dos Santos. Depois, o mestre Domingos Varejão expôs o seu método de ensino, assaltando à medida que ia explicando os diferentes golpes. Agradou, sendo muito aplaudido.
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Os jogadores que eu tanto admirei, quando da minha entrada, eram: |
Conhecimentos técnico
Mestres onde obteve conhecimentos técnicos do Jogo do Pau português:
| Linhagem de Mestres (Link externo) | Toda a escola de Lisboa (Link externo) |
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Galeria de imagens
Mestre Domingos Varejão a executar uma guarda lateral (anos 20/30)[4]
Jogadores do Ateneu (2º em baixo a contar da direita)
Ver também
Referências
- ↑ 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 CAÇADOR, António Nunes, Jogo do Pau: esgrima nacional, Lisboa: ed. Autor, 1963.
- ↑ 2,0 2,1 2,2 2,3 2,4 2,5 SIMÕES, Rui Fernando Almeida, O Jogo do Pau em Portugal: processos de mudança, Universidade Nova de Lisboa, 1990.
- ↑ HOPFFER, Frederico, Duas palavras sobre o jogo de pau, 1924 (sobre o livro).
- ↑ https://arquivomunicipal2.cm-lisboa.pt/xarqdigitalizacaocontent/PaginaDocumento.aspx?DocumentoID=317181&AplicacaoID=1&Pagina=1&Linha=1